segunda-feira, 20 de março de 2017

CRISTIANISMO SUBVERSIVO


No primeiro século, os judeus aguardavam o dia em que o Messias viria e derrotaria Roma, acabaria com o exílio, estabeleceria o Reino de Deus e traria a nova aliança. Jesus cumpriu todos os papéis de Messias, mas não da forma como era esperada.

"Um grande e forte vento rasgou os montes e despedaçou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. E depois do vento, um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. E depois do terremoto, um fogo, mas o Senhor não estava no fogo. E depois do fogo, o som de um baixo sussurro". 1 Reis 19:11-12.

Jesus não veio em um vento poderoso, ou em um grande terremoto, nem em um fogo feroz, veio em um sussurro. Ele veio como uma criança nascida de uma virgem em Belém, passou sua vida viajando e concentrou parte de seu tempo em um pequeno grupo de doze. No entanto, a maior parte do mundo sabe seu nome, e seus seguidores continuam a deixar uma marca inegável no mundo. Como pode um homem que viveu ha mais de 2000 anos, sem ter escrito nenhum livro, que passou a vida viajando, não foi líder militar e nem político, influenciar tanto o mundo?

Jesus foi subversivo. Ele não veio com espadas, mas virou a outra face. Não veio com programas políticos, mas com o Evangelho. Ele veio mudar a Terra subversivamente. Seu reino não foi estabelecido com o sangue dos inimigos, mas com seu próprio sangue. Não estabeleceu seu reino como um César, mas como um fazendeiro. Ele veio plantar uma semente de mostarda. Ele disse: 
"O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem toma e semeia em seu campo. É a menor de todas as sementes, mas quando cresce é a maior de todas as plantas do jardim, e se trona uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e fazem ninho em seus ramos". Mateus 13:31-32.
"Seu Reino não foi estabelecido pelo sangue de seus inimigos, mas pelo seu próprio sangue". Zac Reeves.

O Reino de Deus não cresce como qualquer outro reino. Os métodos que tornam o Brasil forte, economia, militarismo, tecnologia e informação, não são adequados para tornar o Reino de Deus forte. Jesus plantou uma semente que cresce muito, muito lentamente. Ele começou algo (inaugurou), o reino que cresce muito lentamente, mas que um dia se trona maior que qualquer outro reino. O ponto da semente de mostarda é que você não é capaz de vê-la crescer a cada dia, mas no dia em que menos se espera, você vê o quanto ela cresceu. O Reino de Deus cresce subversivamente. As vitórias desse Reino não são conquistadas por políticos e soldados em campos de batalhas ou mesmo na suprema corte, mas em pequenas reuniões, onde os cristãos trazem as boas novas de Jesus Cristo.

Nós, cristãos inclusivos, entendemos que a solução para este mundo não está no legislativo, executivo ou judiciário, ou mesmo nas guerras. A solução deste mundo está no amor, amor esse, que deve ser pregados pelas diversas religiões e vivido por cada um de nós. A solução deste mundo está no anuncio das boas novas. O discurso em "defesa da família tradicional" ou discursos de ódio não podem salvar nosso mundo, somente o amor pode fazer isso. O amor vindo de qualquer religião ou da falta dela.

sexta-feira, 3 de março de 2017

CRISTIANISMO TÓXICO


Vivemos um momento em que autoridades religiosas conclamam pessoas a reagirem a qualquer tipo de fato que julgam ferir a tradicional "família brasileira". Creem que sua autoridade os habilitam a proclamar uma verdade que não tem correspondência com a realidade empírica. Eles não teriam esse poder sem o apoio de uma maciça subcultura cristã, que foi doutrinada para entender a verdade como proclamação autorizada e não como realidade empírica. Pessoas que estão acostumadas a aceitar máximas a priori de suas figuras de autoridades religiosas que deliberadamente se opõem ao consenso geral da ciência e da sociedade civil. Aqui estão cinco fatos particularmente tóxicos que são onipresentes no cristianismo popular brasileiro de hoje:

1. Que a natureza humana é completamente perversa e totalmente indigna de confiança.

O fundamento para uma cultura de fatos fundamentalistas é presumir a corrupção abjeta de todas as fontes possíveis de informações, incluindo suas próprias intuições e observações, exceto na autoridade designada, que geralmente prefigura na liderança maior de sua igreja ou a Bíblia. Nenhuma doutrina cristã tem sido mais distorcida e abusada do que a doutrina do pecado original. Certamente, nascemos em uma ordem social que foi arruinada e corrompida pelo pecado, uma corrupção que nenhum de nós pode evitar. Mas o cristianismo tóxico leva ainda mais longe. Nós não somos apenas pecadores. Somos completamente incapazes de discernir a verdade ou de observar a realidade com precisão, pois "o coração é enganoso e desesperadamente perverso" (Jeremias 17:9). Só podemos confiar nas autoridades ordenadas por Deus para interpretar sua verdade para nós. A Bíblia é oficialmente a autoridade final, mas apenas de acordo com a interpretação correta, filtrada através das lideranças religiosas, que decidem quando e como os mandamentos de Jesus são aplicáveis.

Ironicamente, as pessoas que são treinadas para não confiar nas intuições de seus corações fazem coisas horríveis por acharem que estão sendo obedientes as autoridades ordenadas por Deus. Eles e elas batem em seus filhos para quebrar-lhes a vontade, matam e queimam os corpos de seus filhos gays, pois alguém disse que seu amor precisa ser duro. A antropologia niilista da "depravação total" torna-se a base para iluminação, manipulação e abuso por parte das lideranças, cuja doutrina do pecado é a justificação de seu poder.

2. Que Deus está no controle meticuloso de todos os aspectos do universo.

O Brasil está agora em um curso frenético para destruir nosso planeta, pois os gananciosos executivos, que maximizam o lucro, encontram um parceiro conveniente nas massas que acreditam que Deus não poderia permitir que a mudança climática aconteça. É um artigo de fé que os níveis do oceano não podem subir devido a causas humanas, pois Deus é aquele que diz às ondas: "Até aqui virás, e não mais adiante" (Jó 38:11). O paradoxo de nossa doutrina da soberania de Deus é que nossa própria soberania é que realmente está em questão. Aqueles que precisam de um Deus cuja relação com a criação pode ser explicada e categorizada exaustivamente, possuem um Deus que se submete à soberania de sua teologia. O Deus verdadeiramente soberano é aquele cujo envolvimento em nosso mundo permanece um mistério para nós. Qualquer coisa que possamos discutir sobre a providência e soberania de Deus, como a destruição da atmosfera com nossa poluição, não devemos esperar dEle a salvação.

3. Que a principal questão é onde você irá no pós-morte.

Se não é niilista o suficiente acreditar que suas observações e instruções não podem ser confiáveis e que não se pode danificar a criação, pois Deus está no controle, então, podemos acrescentar a isso a crença de que todo o nosso mundo é uma passagem irrelevante para o Vida pós morte, que é o que realmente importa. Sem mencionar o fato de que Deus quer torturar a grande maioria das pessoas neste planeta, mandando-as a um inferno eterno. Isso deixa muito pouco incentivo para se fazer qualquer coisa que melhore este mundo. Como o grande evangelista Dwight Moody disse: "Eu vejo este mundo como um navio naufragado. Deus me deu um bote salva vidas e disse: 'Moody, salve tudo o que puder'". Portanto, você acaba com uma política niilista sem nenhum interesse pelo bem comum.

4. Que a justiça é estritamente punitiva.

Nunca esquecerei de uma conversa que tive com um pastor Presbiteriano no Seminário. Eu disse a ele que minha fé era a base de minha busca pela justiça. Ele respondeu: "Se Deus nos desse a justiça que merecemos, estaríamos todos no inferno". De fato, nosso sistema de justiça criminal, que foi fortemente moldado pelo moralismo cristão tóxico, não tem nada a ver com fazer as coisas direito para as Vítimas de um crime; ela é estritamente sobre punir criminosos. Quando nos aproximamos da Bíblia presumindo encontrar justiça como punição, distorcemos a cruz de Jesus para significá-la que a justiça retributiva é a ordem dada pelo Deus do universo. A ironia é que se a cruz de Jesus, de fato, fornece a substituição penal como uma dimensão de sua expiação, isso significa que a cruz se esgota e, portanto, anula a justiça retributiva para sempre. Caso contrário, Jesus realmente não pagou todo preço. Assim, aqueles que definem a justiça como castigo, revelam que ainda não aceitaram o pagamento de Jesus pelos pecados do mundo. A verdadeira justiça bíblica significa a restauração do shalom, a paz onde todos e todas permanecem e contribuem. Um relato restaurador da justiça reconhece a cruz e a ressurreição de Jesus como provedora, tanto da reivindicação das vítimas quanto da redenção de seus opressores.

5. Que a maior prioridade de Deus é o cumprimento das normas de gênero.

Existe um maior obstáculo para o evangelismo cristão do que a obsessão de ter a certeza de que as pessoas que nascem com pênis usam azul toda sua vida e só se casam com as pessoas que nascem com vaginas e que usam rosa toda sua vida? Quantos milhões de jovens e adultos perderam totalmente o conceito de santidade sexual porque os cristãos jogaram tudo em cima da preocupação LGBT? A obsessão com as normas de gênero é o maior desastre do cristianismo contemporâneo, e contradiz completamente as preocupações subjacentes de Jesus e Paulo com o fruto espiritual da santidade. O que fazemos com os nossos corpos importa, não por causa de uma conformidade de gênero decretada, mas porque somos templo, onde a beleza de Deus pode ser glorificada. É difícil não concluir que os LGBT estão sendo maltratados pelo cristianismo tóxico como uma tática para não os submeter ao discipulado de Jesus em todos os seus outros aspectos da vida em que a maioria dos cristãos brilham.

Se você quiser desintoxicar seu cristianismo nesta Quaresma, venha participar de nosso retiro espiritual da semana santa.

Fonte: www.patheos.com.

quinta-feira, 2 de março de 2017

PORQUE DEUS AMOU TANTO O COSMOS?

Quando Cristo se tornou humano, ele também se tornou parte do vasto corpo do cosmo.


Em nossos dias, as preocupações sobre ecologia estão sumindo. As alterações climáticas, a poluição e a extinção de espécies vegetais e animais nos fazem questionar o tratamento humano nocivo do mundo natural.

Uma resposta religiosa é focar na doutrina da criação. Visto que o mundo inteiro foi criado por Deus, que enxergou que tudo era "muito bom" (Gênesis 1:31). A natureza, o céu, o mar, a terra e as criaturas que nela residem, tem grande valor aos olhos de Deus. Os seres humanos, criados a imagem e semelhança divina, fazem parte desta comunidade de vida. Nós fomos colocados no jardim para cultivar e cuidar dele (Gênesis 2:15), não destruí-lo.

Para os cristãos, Jesus Cristo é o centro da fé, o fundamento da crença e prática da igreja vivendo em seu Espirito. Se o amor por ele puder ser conectado pelo o amor com a natureza, resultará em um forte impulso para o cuidado ecológico, além da doutrina da criação. Jesus tem alguma coisa a ver com o cosmos? Explorar sua encarnação, ministério, morte e ressurreição com esta questão em mente produz algumas respostas inspiradoras e desafiadoras.

Feito de poeira estrelar

No cerne da fé está a verdade de que em Jesus Cristo, Deus se tornou um ser humano para redimir o mundo. O evangelho do Natal proclama isso muito bem: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14). A Palavra é a própria auto-comunicação de Deus, proferida desde a eternidade. Carne significa o que é material, perecível, vulnerável, finito, o oposto ao que é divino.

Aqui está uma declaração muito radical: Deus se tornou material. O Natal celebra um presente radical: O Deus completamente santo uni-se pessoalmente ao nosso mundo de pecado e sofrimento, para o salvar. Isso é conhecido como a doutrina da encarnação, do latim "em carne".

As descobertas científicas deixaram nítido que a carne humana é parte evolutiva da vida neste planeta, que por sua vez é parte do sistema solar, que por sua vez veio a ser parte de uma longa história cósmica. Essa consciência de nossa longa história natural fornece uma nova visão do significado cósmico da "carne" que a Palavra se tornou.

A teoria prevalecente na ciência de hoje sustenta que tudo que existe vem de um único ardente momento. Datado há 13,7 bilhões de anos, quando o universo começou com uma única partícula que explodiu, chamada inelegantemente de Big Bang, uma efusão de matéria e energia que ainda está acontecendo.

À medida que este material se expandia, sua irregularidade permitia que as galáxias se formassem à medida que a força da gravidade puxava as partículas e sua densa fricção acendia as estrelas.

Aproximadamente 5 bilhões de anos atrás, algumas dessas estrelas envelhecidas morreram. Suas grandes e novas explosões, transformavam o hidrogênio básico em elementos mais complexos. Fora dessas nuvens de poeira e gás, algum material reformado e re-inflamado se tornou nosso sol, uma estrela de segunda geração. Alguns pedaços pequenos demais para pegar fogo, coalesceram, formando os planetas de nosso sistema solar, incluindo a Terra.

Três bilhões e meio de anos atrás, neste planeta, ocorreu outra mudança importante, quando as moléculas coalesceram para formar células vivas. Durante um período Éon de tempo as células irromperam em criaturas que "se tornaram frutíferas e se multiplicaram": o advento da vida.

Para fora do Big Bang, as estrelas; Fora da poeira das estrelas, a Terra; Fora da matéria da Terra, a vida. Fora da vida e da morte de criaturas unicelulares, uma maré avança: trilobites, peixes, anfíbios, insetos, flores, pássaros, répteis e mamíferos, entre os quais emergiu os seres humanos, mamíferos com cérebros tão complexos que experimentaram a autoconsciência, inteligência e liberdade.

De acordo com essa história científica, tudo está ligado a tudo. O cientista e teólogo britânico Arthur Peacocke explica: "Todo átomo de ferro no nosso sangue não estaria lá se não tivesse sido produzido em alguma explosão galática há bilhões de anos e, eventualmente condensado para formar o ferro na crosta da Terra, da qual emergimos".

Literalmente os seres humanos são feitos de poeira de estrelas.

Além disso, compartilhamos com todas as outras criaturas vivas em nosso planeta, uma ancestralidade genética comum, Bactérias, vermes, pinheiros, mirtilos, cavalos, grandes baleias cinzentas, todos somos parentes genéticos na grande comunidade da vida.

O pensamento e o amor humano são distintos, mas não são algo injetado no universo. Pelo contrário, eles são o florescimento em nós de energias profundamente cósmicas. Na espécie humana, a natureza torna-se consciente de si mesma e aberta a realização na graça e na glória.

De acordo com o filósofo judeu Abraham Heschel, isso torna os seres humanos os "cantores do universo", capazes de cantar louvores e agradecimentos em nome de todos os outros.

Compreender a espécie humana como uma parte intrínseca da matéria planetária e cósmica tem implicações de longo alcance para o significado da encarnação. Nessa perspectiva, a carne humana que a palavra se tornou faz parte do vasto corpo do cosmo.

Os teólogos começaram a usar a expressão "encarnação profunda", inventada pelo teólogo dinamarquês Niels Gregersen, para expressar esse radical alcance divino no próprio tecido da existência biológica e no sistema mais amplo da natureza.

Como todos os seres humanos, Jesus carregou dentro de si o que o padre jesuíta David Toolan chamou de "assinatura das supernovas, da geologia e da história da vida da Terra". A estrutura genética de sua células o fez parte de toda a comunidade da vida, vinda de um antepassado comum dos mares antigos. A carne, que a Palavra assim se tronou, vai além de Jesus e de outros seres humanos para abranger todo o mundo biológico das criaturas vivas e o pó cósmico do qual somos compostos.

Essa maneira "profunda" de refletir sobre a encarnação fornece uma visão importante. Ao tornar-se carne, a Palavra de Deus confere bençãos sobre toda a realidade terrena em sua dimensão material, e além disso, sobre o cosmos em que a Terra existe. Em vez de ser uma bactéria que nos distancia do divino, este mundo material torna-se um sacramento que pode revelar a presença divina. Em lugar do desprezo espiritual pelo mundo, nos aliamos com o Deus vivo amando todo o mundo material, parte da carne que a Palavra se tornou.

Jesus da Terra

Para alguém que foi reverenciado como um salvador espiritual, o ministério de Jesus mostrou uma profunda conexão com a corporeidade e com a Terra. Pregando dentro de uma cultura agrícola, suas parábolas são temperadas com referências a sementes e colheitas, vinhas e ervas daninhas, chuva e pôr do sol, ovelhas e aves de nidificação. Ele não exitou em falar com emoção da roupa de Deus, as flores selvagens, com beleza. Ele até falou da preocupação de seu querido Pai por um pardal morto que caí no chão (Mateus 10:29).

As ações de Jesus também eram extraordinariamente físicas. Suas curas colocavam o sofrimento corporal das pessoas no centro da atenção. Ele usou a própria saliva e o toque quente para ministrar a saúde. E como Ele alimentava as pessoas? Grandes números em encostas e pequenos grupos em casas, onde era copioso anfitrião e companheiro de mesa, todos conheciam sua preocupação em satisfazer a fome corporal das pessoas!

O centro da pregação e das ações de Jesus era a certeza de que o reino de Deus estava próximo. Este rico símbolo judaico aponta para o momento em que Deus finalmente reinará sobre os poderes das trevas, de modo que a vontade divina seja feita na terra como no céu. O ministério de Jesus revela concretamente o que isso significa: nada menos que a salvação, o fim do pecado, do sofrimento e da morte, o florescimento de todas as criaturas.

Isso inclui sua dimensão física, pois, como mostram as histórias do evangelho, os corpos são importantes para Deus, todos os corpos, não só os belos e cheios de vida, mas também os danificados, violados, famintos e mortos. E não apenas os da humanidade, mas também os do resto da criação.

O teólogo ecologista Sallie McFague resume o que o ministério de Cristo revelado em um axioma: "Amor libertador, curativo e inclusivo é o significado de tudo isso". O amor, como Jesus o encarnou, é o significado codificado no coração do próprio universo. A intenção original e final do amor de Deus é a plenitude da vida, não apenas para uma fatia do mundo, mas para todos e todas, incluindo os pobres seres humanos e todas as criaturas vivas.

Para os discípulos que seguem o seu "Caminho", o ministério de jesus apoia todos os corpos da criação, não apenas aqueles que tem sucesso em seu tempo, mas também aqueles que são menosprezados, julgados sem importância ou inaceitáveis, quebrados ou empurrados para a extinção. Com esta convicção, as pessoas podem arriscar a lutar pela vida em um mundo onde a morte devido a pobreza arraigada, injustiça violenta, insensibilidade ecológica e avareza são uma possibilidade diária para milhões.

Esta perspectiva traz justiça social e cuidados ecológicos em um abraço apertado.

Cristo como o "Primeiro Tomate"

O fim da vida de Jesus e sua ressurreição fornecem mais um capítulo surpreendente na narrativa da imensidão de Deus na matéria. Não há exceção a única regra que maltrata toda a natureza, Jesus morreu, sua vida sangra para fora em um espasmo de violência.

A teologia contemporânea enfatiza que o sofrimentos de Cristo na Sexta-feira santa, revela a compaixão de Deus para com todos e todas que sofrem ao longo da história. As cruzes continuam sendo montadas no mundo, conectando a raça humana ao fio vermelho da agonia. Em Cristo, Deus simpatiza e deseja apaixonadamente tirar todas as pessoas crucificadas da cruz.

Esta solidariedade misericordiosa não se limita apenas aos seres humanos. Mas também a natureza que sofre: "Toda a criação está em dores de parto até agora" (Romanos 8:22). O sofrimento de Cristo nos leva a confiar que os intermináveis milênios de sofrimento e de morte envolvidos no processo de evolução, são acompanhados pelo amor divino. Nenhum pardal cai no chão sem ser observado pela compaixão de Deus.

A fé cristã proclama que a cruz não é a palavra final. Ela floresce na árvore da vida: "Ele ressuscitou, Aleluia!".

Esta Boa Notícia da Páscoa sempre envolveu corporalidade. A fé na ressurreição de Jesus Cristo afirma que não é só a alma que é salva na morte, mas todo o seu corpo, o seu eu. Começando em um corpo humilhado, posto em um túmulo, a história da ressurreição fala do poder criativo do amor divino triunfando sobre o poder crucificante do mal e o poder sepulcral da morte.

O que isso significa seriamente de concreto não é imaginável: "Nós agora vemos em um espelho, apenas vagamente" (1 Coríntios 13:12). No entanto, o túmulo vazio representa um sinal histórico de que o amor de Deus é mais forte do que a morte, abraçando a própria existência bibliográfica e resgatando-a da aniquilação.

A alegria exuberante que brota na Páscoa vem da compreensão de que este destino não é só para Jesus, mas para toda raça humana. O resultado de sua morte assinala que um futuro abençoado aguarda todos e todas que passam pelo abalo da morte, ou seja, todo o mundo.

Em uma ótima metáfora, São Paulo capta isso sucintamente: Cristo é "as primícias dos que dormem" (1 Coríntios 15:20). Se você já colheu tomates, sabe a alegria de escolher o primeiro e mais suculento. Mas há mais amadurecimento na videira, e seu dia de colheita chegará. Cristo, o primeiro fruto que adormeceu, é como aquele primeiro tomate!

Ressuscitado dos mortos, Cristo deixa nítido que a salvação não significa a fuga do espírito humano da matéria. Em vez disso, nosso futuro trará a transformação de todo o nosso corpo relacional, pessoa, poeira e respiração, juntos na glória de Deus.

A consciência ecológica de nossa história terrestre e cósmica nos leva a entender essa presença para além de seu alcance humano, para incluir um futuro para todo o mundo natural.

Como Jesus de Nazaré era composto de material de estrelas e coisas terrenas, e como seu corpo existia em uma rede de relações que se estendia a todo o universo físico, sua ressurreição sinalizava o início da redenção, não apenas dos seres humanos, mas de toda a criação, todo o mundo natural, toda a matéria em suas intermináveis permutações.

Um hino cristão primitivo elogiou o Cristo crucificado como "o primogênito dentre os mortos" também declarou, com razão, que Ele é "o primogênito de toda a criação", incluindo as coisas visíveis e invisíveis (Colossenses 1:15-20). "Na ressurreição de Cristo, a própria terra surgiu", declarou Santo Ambrósio, bispo de Milão do século IV.

A liturgia católica da Vigília Pascal simboliza lindamente isso com símbolos cósmicos e terrenos de luz e escuridão, novo fogo, flores e verduras, água e óleo, pão e vinho. O hino Exsultet, cantado apenas nesta noite, grita: "Exulta toda criação, em volta do trono de Deus", pois Jesus Cristo ressuscitou!

O hino continua com um apelo ao nosso planeta:
Rejubile também a terra, inundada por tão grande claridade. 
Porque a luz de Cristo, o Rei eterno 
Dissipa as trevas de todo o mundo!
Na verdade, o Cristo ressuscitado encarna a esperança final de toda a criação.

Uma vez, quando o famoso naturalista norte-americano John Muir encontrou um urso em Yosemite, escreveu uma crítica mordaz em seu diário contra as pessoas religiosas que não deixam espaço no céu para criaturas tao nobres: "Não contentes em tomar toda a Terra, acham que são os únicos que possuem os tipos certos de almas para as quais esse imponderável império foi planejado, o país celestial". Ao contrário, acreditava Muir, a "caridade de Deus é suficientemente ampla para os ursos".

À luz do Cristo ressuscitado, a esperança da salvação para todos os seres humanos pecaminosos e mortais, se expande para se tornar uma esperança cósmica, uma esperança compartilhada. O amor pela Terra e por todas as suas criaturas fluem como uma resposta.

Todas as mãos no convés

A fé em Jesus Cristo pode fornecer recursos ricos para uma ética ecológica que é criticamente necessária neste mundo de angústia, a Terra. Em união com o amor que cria e abraça toda realidade é vislumbrada concretamente na encarnação, ministério, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Precisamos moldar nossas vidas no conhecimento de que a natureza está fundamentada no sagrado. A salvação não abrange apenas a vida humana, mas toda a vida e todo o cosmos em si.

Durante bilhões de anos, o universo teve o caráter de uma aventura, descobrindo e trazendo coisas novas, nunca antes vistas. E o processo ainda não terminou. A ação humana que aborta as possibilidades da natureza causando dano aos ecossistemas e outras criaturas é nada menos que uma violação profundamente pecaminosa contra a vida. Ela atropela a promessa da natureza, matando o que ainda pode ser. Ao faze-lo, frustamos a própria visão criativa de Deus para o futuro deste universo.

À luz da fé cristã, escreveu o Papa João Paulo II, devemos moldar nossa vida moral de modo que "o respeito pela vida e a dignidade humana se estenda também ao resto da criação".

O filósofo e paleontólogo francês jesuíta Pierre Teilhard de Chardin capturou nosso momento de crise em uma parábola bem conhecida. A raça humana esta em um navio movendo-se através de um mar inexplorado. Durante milênios, os seres humanos vieram no porão do navio, desconhecendo os maiores processos evolutivos que moviam o barco. Agora os passageiros vieram à bordo. No convés veem um leme, instrumentos de navegação e cartas. Eles cruzam um limiar.

Em um grau importante, os seres humanos agora são capazes de especular sobre a direção do processo evolutivo, e, até mesmo conduzir o navio em direção a um objetivo consciente. Eles vão agir com responsabilidade e orientar em uma boa direção ecológica? Ou vão bater o navio nas rochas?

A crença em Jesus Cristo tem muito a contribuir para um resultado florescente, se ela, também vier para o convés. Ela é um dom dado porque "Deus amou o mundo" (João 3:16). A palavra grega que originalmente é traduzida para "mundo" é kosmos.

Sim, Deus amou tanto o universo inteiro, florescendo, zumbindo, evoluindo, gemendo, que a vida, morte e ressurreição de Jesus conecta-o para sempre com a promessa redentora.

Este artigo foi publicado na edição de abril de 2010 da US Catholic (Vol. 75, Nº 4, páginas 18-21).

Fonte: www.uscatholic.org.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

DEUS ROSA OU AZUL?


Deus nosso PaiDoador do Pão diárioAbençoa nossas mãos e cobre nossas cabeçasDeus, nossa mãeLeva-nos a pazCuida e consola de todos os necessitados 

Santificado seja teu nomeSantificado seja teu nomeSantificado seja teu nome em toda a terra.

ROSA E AZUL

Algumas pessoas foram dar um passeio em uma reserva de floresta, e avistaram dois cervos em uma clareira. Um pastoreando e vagueando não prestou atenção nas visitantes. A outra olhou completamente imóvel, tensa e pronta a cada momento. O jovem cervo era descuidado e vagava sem se preocupar porque sua mãe observava as visitas.

Ele estava seguro, pois estava com a mãe. E esta mãe fazia o que as outras mães fazem: protegia, vigiava, olhava ao redor, ficava de guarda. Ela olhava através do campo, seus olhos escaneavam pela frente e por trás, pronta para proteger seu filho a qualquer momento.

Vivemos em um mundo onde se faz uma distinção profunda entre pais e mães, há coisas que os pais fazem e coisas que as mães fazem, que, em nosso mundo, não são as mesmas. Na verdade, começa antes de nos tornarmos pais. Fazemos isso com todos os homens e mulheres, antes disso, ainda quando crianças.

É como assistir uma antiga filmagem em preto e branco de uma lua repousando mais do que qualquer outra coisa. Então, naquele momento, ou talvez algum tempo depois, se fala sobre gênero, ai você cai em um mundo rosa, rosa, rosa ou azul, azul, azul para sempre.

É assim que as pessoas são. Nós dividimos as pessoas em rosa, flores, bebes e saltos altos, ou em azul, gravatas, máquinas e músculos.

Mas Deus não é rosa nem azul. Deus não se encaixa em nosso jogo da vida, de pequenas mulheres e homens, andando em torno de nossos pequenos umbigos.

Deus nutre, protege e alimenta seus filhos e filhas, assim como aquela mãe cerva, com ferocidade e poder, pronta para fazer qualquer coisa por sua cria. Deus escuta e se aproxima. Deus detém e cura.

Deus nossa Mãe.

Sabemos tudo sobre Deus, nosso pai, e sobre as belas imagens que acompanham tal ideia: o amor forte, fiel e inabalável de um pai. Mas, conhecer somente Deus Pai seria como conhecer o dia e nunca a noite, ver o nascer do sol e nunca a assombrosa e suave ascensão da lua vermelha e bonita no céu. Conhecer apenas Deus Pai seria como ver o sol brilhante e deslumbrante sem nunca ver as estrelas se espalhando pelo céu com sua poeira de fadas.

Deus nossa Mãe, estende para nós suas mãos, mãos de mãe, forte, escorrendo amor, amarrando feridas e arranhões suavemente, nos segurando e nos mantendo seguros.

Deus, nossa Mãe, alimenta-nos, dá-nos o que precisamos para crescer e prosperar, cuida de nós com grandes e pequenos gestos, vê-nos, tricota-nos de novo, com amor e graça após sermos quebrados.

Deus, nossa Mãe, crê em nós. Isto é o que uma mãe faz: ela olha nos seus olhos e diz: eu acredito em você. Eu conheço você. Eu sei que você foi feito para grandes coisas. Ela diz: Você não é pequena nem assustada. Você não é muito frágil ou muito falha. Você é minha. E isso é tudo o que você precisa saber.

Deus nossa mãe sussurra em cada um de nós: Você é minha. E isso é tudo o que precisamos saber.

Deus, nossa Mãe.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

PESSOAS LGBT ODEIAM CRISTÃOS?


Não sou muito de responder a postagens, principalmente vindas de pessoas com má intenções, mas recentemente li o comentário de uma advogada "cristã", LGBTfóbica declarada, muito conhecida na cidade de Teresina por seus impropérios contra a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais e, resolvi responder.

Recorrentemente usando a palavra "gayzistas", ela fala a seus seguidores sobre o ódio que as pessoas LGBT sentem dos cristãos, ao ponto de persegui-los, citando uma suposta matéria de um pastor que sofreu ataque de um homem gay. Ela, e muitos outros seguem o mesmo falso ensino sobre nossa comunidade que é pregado nos estudos de escolas dominicais há várias décadas, o ensino do ódio genuíno. Sim, isso independentemente da pessoa.

Parece que macular nossas comunidades traz em si um tipo grosseiro de status entre os fundamentalistas cristãos. Ás vezes tenho muita compaixão, mas às vezes fico irritado e frustrado. Sabe, independentemente das razões, chega um momento, após a apresentação da verdade dos fatos do horrível tratamento que nossos irmãos e irmãs LGBT sofrem, que somos todos responsáveis pelo que cremos e pelas suas consequências. De nossas palavras, nosso silêncio, ações e inações.

Queria dizer que a pergunta apresentada no título é muito boa, e posso dizer o por quê.

É porque muitos cristãos dizem "odiar o pecado e amar o pecador", citando uma frase de Gandhi, em um trecho onde ele falava que era impossível se fazer isso, pois inevitavelmente, na verdade, você estava odiando o pecador.

É porque muitos na igreja não param de dizer essas palavras o tempo suficiente para conhecer as pessoas LGBT, para ouvi-las e não condená-las; É porque continuam a usar frases como "escolha de estilo de vida" para descrever algo que não é experimentado como uma escolha, e, que é tão variada no estilo de vida como heterossexuais são. Meu estilo de vida é diferente de inúmeros outros homens gays, assim como é verdade para as lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Ou mesmo entre homens e mulheres héteros.

É porque as pessoas LGBT são informadas de púlpito que não são bem-vindas; são removidas das lideranças das igrejas, são evitadas em seus templos. Alguns líderes pedem que seus pais expulsem seus filhos, caso não queiram "mudar". (Uso aspas porque ser uma pessoas LGBT não é algo que se pare, como beber. É algo como parar de ser uma pessoa canhota, o que torna a experiência de mudança impossível e sem amor).

É porque as crianças estão sendo mortas por seus pais "cristãos", presumidamente em resposta ao ensinamento dos pastores e pastoras que lhes instruem a fazer isso. Isso inclui crianças que nunca sequer tocaram a mão de alguém, muito menos outras coisas.

Pessoalmente não acho que seja um bom negócio para comunidade LGBT frequentar igrejas que creem numa teologia bíblica que "de uma forma ou de outra a odeie". Rejeição, condenação, julgamento, vergonha, expulsão e comumente mal-entendidos, são formas muito práticas de demonstrar ódio.

Acredito que muitos dos que continuam a massacrar pessoas LGBT, o fazem por ignorância, realmente creio, mas já é tempo de para parar e aprender. Se as pessoas se recusam a apreender, então, realmente não merecem que percamos nosso tempo tentando um diálogo sério.

Espero que todas as pessoas que leiam esse post se envolvam o suficiente para apreender quais são as verdadeiras indagações e sobre quem elas realmente são.

Fonte: http://www.patheos.com/blogs

sábado, 14 de janeiro de 2017

DOCE VINGANÇA


Assistimos estarrecidos a chacina no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, foi uma das maiores matanças em presídios brasileiros desde o massacre do Carindiru, em 1992. Foram 56 presos mortos. Além da morte, presenciamos o aval de muitas pessoas de nossa sociedade que dizia: "Preso bom é preso morto". Me pergunto: Até onde vai a justiça? Onde começa a vingança?

"A antiga lei do olho por olho acaba por deixar todo mundo cego"
Martin Luther King Jr


A Doce Vingança (Mateus 5:38-42; Romanos 12:17-21)

Por volta de 120 d.C. um satirista romano chamado Juvenal escreveu:
"Na verdade, é sempre uma mente insignificante, fraca, minúscula que tem prazer na vingança. Você pode concluir apenas com esta prova e sem nenhuma a mais, que ninguém se alegra mais na vingança do que uma mulher"
Mulheres, como vocês se sentem sobre isso? Dar vontade de matar o homem que disse isso? Tenho boas notícias para você. Ele já está morto há quase 2000 anos.

Mas a verdade é que não são apenas as mulheres que estão interessadas em vingança. Todos nós estamos. É algo que achamos doce e gratificante, saber que outra pessoa recebeu o que estávamos desejando para ela. Nós amamos isso.

Jesus tem algo a nos dizer sobre vingança, que, ao contrário de seu contemporâneo, ensinou para homens e mulheres em Mateus 5-7, no chamado "Sermão da Montanha".

Primeiro Jesus falou sobre o caráter das pessoas que estão no reino. Então falou sobre o código do reino: A maneira que Jesus quer que seus seguidores sejam. Ele nos diz que nossa justiça deve ser genuína, não apenas com ações externas, mas com atitudes internas. Ele quer que nossas ações externas e atitudes internas correspondam ao seu caráter.


1a - Por exemplo, todos concordam que assassinato é errado, é óbvio. Mas o assassinato é meramente a evidência externa de uma atitude interna.
1b - Jesus diz também que é errado guardar ira não resolvida em seu coração, conduzindo ou não ao assassinato.
2a - Da mesma forma, Deus permite o divórcio, quando um casamento falha, mas é errado abandonar seu cônjuge, deixando-o incapaz de se casar novamente.
2b - Jesus diz que é errado se divorciar por capricho, apenas por estar cansado de estar casado com ele ou ela.
3a - Por fim, vemos que é errado voltar atrás em sua palavra.
3b - Mas Jesus diz que é importante ser uma pessoa verdadeira, por dentro e por fora.
Ao retornarmos a passagem em Mateus 5:38, descobrimos que os próximos versículos são sobre justiça e vingança. Deus nos deu alguns caminhos legítimos para a justiça aqui na terra, mas Jesus nos adverte que a vingança pessoal é algo completamente diferente. A vingança pode ter gosto doce, mas não é correta.

Como John Milton escreveu em Paradise Lost:


A vingança, embora tenha um início doce, recua em si própria para o amargo

Essa passagem é muito confusa, e muitas vezes foi mal interpretada de várias formas diferentes. É levada a todos os tipos de pensamento descuidados sobre que tipo de pessoa Jesus era e sobre o que ele ensinou. É também a fonte de quatro ditos muito conhecidos que quase todas as pessoas já ouviram falar antes, mas nem todas entendem:
Olho por olho.
Vire a outra face.
Caminhe a segunda milha.
Dê-lhe também o manto.
Então, abramos nossa Bíblia e olhemos o que Jesus nos ensina em Mateus 5:38
[5:38] "Ouviste o que foi dito: Olho por olho, e dente por dente".
Anti - em vez de (mesma palavra usada para dizer que Jesus morreu, em vez de nós) ¹.
Um substituto.

Isto destinava-se a restringir a vingança, garantir que a punição não excedesse o crime. Havia espaço para a graça e punições alternativas. Isso impedia as pessoas de irem muito longe em suas punições.
Quando alguém as machucava ...
Nossa tendência natural é o retorno.
Queremos que as pessoas se machuquem como nos machucamos. Falamos sobre receber o mesmo, estabelecer a dívida. A ideia é que, por terem nos machucado, devem receber alguma dor em troca. E está é uma dívida que ficamos muito feliz em resolver. Na verdade, geralmente não é suficiente "receber o mesmo". Queremos adicionar um pouco mais. É como um jogo de cartas: Eu vejo a trapaça, levanto e arranco-lhe o olho!

Esta política, encontrada no V.T., foi concebida para impedir vendetas pessoais que tendiam a infligir uma punição mais severa do que o criminoso merecia. Se alguém cega alguém, não deve ser morto por isso. Deve ser responsabilizado apenas por um olho. Muitas vezes essas dívidas eram pagas em dinheiro, qualquer valor que um olho ou dente valesse. A Bíblia apoia justiça medida.

Mas mesmo se permanecermos dentro dos limites de infligir dor recíproca, ainda estamos perdendo o foco. Porque a nossa conformidade externa com as exigências da justiça é muitas vezes para mascarar um problema interno: o de querer vingança. E vingança é pecado. Então Jesus diz:


[5:38] "Ouviste o que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. [39] Mas eu vos digo: que não resistais ao mal".
Quando estamos feridos, queremos retorno.
Mas Jesus diz: "Não lute".
A palavra "resistir" significa "opor-se, se colocar contra".
Suporte mais. Anti. "Ser hostil em relação à".
A ideia não é tanto sobre a não-resistência, é sobre não enfrentar fora.
Isso não é pacifismo (uma recusa de enfrentar o mal com violência ou guerra).
Parece haver bastante espaço na Bíblia para a autodefesa.
Mas isso também não é agressivo.
Este versículo é um aviso específico para não levar a retribuição para o pessoal.
Não escalar a situação, mas "ficar a par".
Em vez disso, desacelerar. Abaixar as estacas.
Pacificar. Suportar. Perdoar.
Esta não é uma resposta natural:
- Nikita Khrushchev, estadista soviético, escreveu em 1971
"Não tínhamos utilidade para a política dos Evangelhos: se alguém bater em você, basta virar a outra face. Tínhamos mostrado que qualquer um que nos esbofeteasse em nossa face, teria sua cabeça lançada fora".
Jesus nos chama a responder de forma contra intuitiva. Em vez de enfrentar o mal de igual forma ou com uma força maior, ele nos encoraja a encarar o mal com uma força completamente diferente: com o bem. Em vez de pagar de volta com o próprio mal, somos chamados a pagar com bondade.

Há uma passagem paralela em Romanos 12 que explica como funciona.

Romanos 12:17-21. Não pagueis mal por mal. Tenha cuidado para fazer o que é certo aos olhos de todos.


Não faça o mal apenas porque alguém fez mal a você.
Eles fizeram a coisa errada. Você fará a coisa certa.
Isso não soa como algo que dizemos a nossos filhos?
O mais novo machuca o mais velho. O mais velho devolve o machucado. Então o mais novo queixa-se para mãe e o pai. "Mãe, João me bateu". A mãe diz: "João, você bateu em seu irmãozinho?". "Sim". "Por que você fez uma coisa dessas?". "Porque ele me bateu primeiro". "Olha, você cuida de você que eu cuido de seu irmãozinho. Acredite em mim, suas mãos cuidam de você. Concentre-se apenas em ter a certeza que está fazendo a coisa certa e não se preocupe com o que seu irmão está fazendo. Eu cuido dele".
Isso é exatamente o que Deus está tentando nos dizer. Não se envolva no negócio de tentar fazer o mesmo, certificando-se que todo mundo receba o que merece. Esse é o trabalho de Deus, e ele é muito bom nisso.
[18] Se possível, no que depender de vós, viva em paz com todos.
Pode não ser possível, mas devemos fazer o que podermos.

Mas se fizermos isso? Se ninguém se levantar contra o agressor? Se não dermos o que ele merece? Ele vai continuar fazendo isso! Se ele se livrar uma vez, fará o mesmo com uma outra pessoa. Onde há justiça nisso?

Deus tem uma resposta para você:
[19] Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas deixem espaço para ira de Deus, pois está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Deus cuidará da justiça. Pode não ser quando queremos. Pode não ser como queremos. Mas Ele certifica-se que a justiça seja feita.

Esta política não é uma falta de justiça. É um chamado para não se tomar a vingança pessoal, afim de obter justiça. Deixe a justiça e a vingança com Deus.

Parte da justiça não veremos até chegar ao céu. Mas algo vai acontecer aqui na terra. Na verdade, Deus tem um agente especial que usa para esse propósito. Não, não sou eu... ou você. É o Brasil. Ou seja, o governo brasileiro... entre outros governos. A Bíblia diz que Deus usa os governos para trazerem uma medida de justiça ao mundo. Não é uma justiça perfeita, nem suficiente. Mas enquanto esperamos a justiça do Reino, os governos do mundo servem para pelo menos reter o mal e trazer um mínimo de justiça ao mundo. Eles são agentes da justiça de Deus! Instrumentos dEle.
Romanos 13:4 diz: [Governo] é o servo de Deus para te fazer o bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; ele é um servo de Deus, e vingador para castigar o malfeitor.
A espada = A execução do poder da guerra.

Uma legítima função do governo na Bíblia é punir aqueles que fazem o mal. E quando o fazem, funcionam como agentes de Deus para punir o mal. Isso é parte de como Deus administra a justiça. Não é perfeita. Mas um dia, Deus concertará tudo, e haverá justiça perfeita. Então, devemos nos manter fora e deixar que Deus faça seu serviço. Temos um trabalho diferente a fazer. Paulo continua em Romanos 12:
Não se vingue... [20] Pelo contrário: "Se teu inimigo estiver fome, alimente-o, se tiver sede, dê-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas sobre sua cabeça.
[21] Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.
Devemos responder o mal com o bem. A armadilha deve superar o mal. Estamos tão feridos, tão feridos que também escolhemos um caminho mal, tentando resolver o problema. Mas Deus diz para retribuir o mal com o bem. O que acontece é ainda mais devastador para pessoa que o machucou.

Todo mundo entende olho por olho. É assim que o mundo funciona. Mas encontram problemas em pagar o mal com o bem. Isso faz com que sua consciência queime. Isso os leva a repensar sua abordagem, pois não estão produzindo o que esperavam. Essa é a maneira de superar o mal. Não lutando contra ele. Não castigando. Não matando. Mas sufocando-o com bondade e generosidade até que ele não possa mais respirar.

Voltemos a passagem de Mateus 5. Começando no verso 39. Jesus nos dá quatro exemplos de princípios de como devemos responder ao mal com bondade e generosidade.
Agressão Física. 
Processos injustos. 
Serviços Obrigatórios. 
Generosidade Explorada.
Aqui está o primeiro no verso 39:
[5:39] Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
No dia em que Jesus foi atingido com uma bofetada no rosto com o dorso da mão, isso foi um insulto terrível (e ainda é no Oriente Médio).

Este verso não significa que não devamos nos defender. Não significa pedir outro tapa.

Tanto Jesus quanto Paulo foram literalmente atingidos e, ambos apelaram para seus direitos. Mas não bateram de volta.

E essa é a força deste versículo. Se você for atingido, se você for insultado, não revide. Não retalie. Deixe ir. Perdoe.

Seria melhor receber um segundo golpe na outra face do que inclinar-se ao mesmo nível da pessoa que o atacou. Isso é o que significa dar a outra face. Não tente revidar.

Em outras palavras.

Seja gentil e generoso mesmo quando...

Alguém o ataca verbal ou fisicamente.

A boa notícia é que você não precisa esperar pela violência para colocar esse princípio em prática. Você já conheceu alguém na escola, no trabalho ou mesmo na igreja que não foi com sua cara? Não tendo sido por causa de alguma coisa que você fez, ou mesmo tendo sido, mas simplesmente não foi gentil ou amigável com você? Como foi sua resposta? Eu digo o que todos nós gostaríamos de fazer. Nós diríamos: "Tudo bem. Não vou jogar esse jogo. Mas também não serei amigável com você".

Virar a outra face, no entanto, significa responder a esse desprezo com bondade e generosidade, ser amigável com as pessoas que são hostis para você. Não é um desejo masoquista de ser repreendido novamente, é mostrar seu rosto como se não tivesse havido ofensa, pois você já perdoou e está deixando a questão com a justiça de Deus.

O seguinte exemplo está no verso 40:
[5:40] E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, entrega-lhe também o manto.
A túnica era uma camisa, a roupa mais perto do corpo. A cima dela se usava o manto, que servia quase como um cobertor. Em nossos dias, você pode processar alguém que esteja sem calças. Mas no tempo de Jesus eles não usavam calças. Assim, a lei judaica permitia processar uma pessoa sem túnica.

O manto estava realmente protegido por lei. Não podia ser tirado.

A ação neste versículo pode ser um caso legal, mas também parece conter uma pitada de injustiça. Mais uma vez, a ideia não é que o cristão seja um covarde, que se você for injustamente usurpado, não se defenda automaticamente, e dê ao queixoso tudo o que ele pedir e mais um pouco. Outra vez a ideia é que não façamos o mesmo. Não se vingue para recuperar e pegar suas coisas de volta. Em vez disso, seja generoso com o que você possui. Segure suas posses sem muito apego. Tão sem apego que esteja disposto a desistir delas se essa for a única maneira de lutar pelas pessoas. Inclinar-se ao mesmo nível do usurpador, é enganar a si próprio.

Em outras palavras, seja gentil e generoso mesmo quando...

Alguém injustamente engana você.

Se você estiver errado, faça um acordo generoso. E se não estiver errado, coloque-se em defesa, mas não se vingue. Não segure tão firmemente o que você possui, que o impede de ter paz. Em 1 Coríntios 6:7, Paulo diz: "O fato de vocês terem ações judiciais entre si, significa que foram completamente derrotados. Por que não ser injustiçado? Por que não ser enganado?"

O terceiro exemplo está no verso 41:
[5:41] E, se alguém te obrigar a caminhar uma milha, vá com ele duas.
No Império Romano, um soldado ou funcionário do governo poderia forçar alguém a carregar sua bagagem por ele. No entanto, a lei romana dizia que a pessoa só poderia ser forçada a fazer esse serviço por uma milha e, em seguida, estaria livre.

Tenho certeza que ninguém gostava de fazer isso quando solicitado, eles provavelmente se ressentiam quando eram forçados a fazer alguma coisa. Posso ver um escravo dizendo: Eu posso até ser obrigado a carregar suas coisas, mas nunca saberá o que poderá acontecer com elas. Podem ficar muito sujas, se acidentalmente caírem na lama. Nunca se sabe!"

Mas Jesus diz, não se ressinta deles. Em vez disso, seja generoso. Reembolse o mal com o bem. Ofereça-se para ir mais uma milha. Dê-lhe mais do que ele tem direito de exigir.

Em outras palavras, seja gentil e generoso mesmo quando...

Alguém o forçar a fazer algo contra a sua vontade.

Aqui está um exemplo bem prático. Quantos de vocês gostam de pagar impostos? Você não se ressente disso? Você não desejaria encontrar alguma maneira de fazer com que o governo não recebesse um centavo? Pergunto-me se Jesus sugeriria que, além de pagar os impostos com alegria, déssemos uns reais a mais. O governo apoia todo tipo de programas sociais, saúde, educação, segurança e assim por diante. Poderíamos nos ressentir de pagar por isso e dizer: "Posso fazer melhor que isso. Posso ser voluntário para construir casas para alguém, ensinar alguém a ler. Posso apoiar uma organização que forneça suprimentos para bebês e mães solteiras".

Se está fazendo algo só porque tem que fazer, tenha cuidado para que não encontre pequenas maneiras sutis de ventilar o seu ressentimento por vingança. Jesus diz: Faça-o com prazer e, em seguida, em cima disso, seja generoso.

O exemplo final está no versículo 42:
[5:42] Dai o que vos pede, e não vos afaste daquele que quer tomar emprestado de vós.
Este é outro daqueles versículos que causam confusão na alma. No seu valor literal, parece dizer que devemos dar a todos que nos pedem. Na verdade, o tornarei ainda mais desagradável. Acho que por causa do contexto, ele provavelmente está falando sobre pessoas que se aproveitam de sua generosidade. O que merecem é nada. Mas Jesus nos diz para continuarmos a ser generosos. Não tente puni-los, cortando sua ajuda. Seja amigável. Seja generoso. Mesmo eles maltratando, manipulando e mentindo para você.

Em outras palavras, seja gentil e generoso mesmo quando...

Alguém tira proveito de sua generosidade.

Quase toda semana temos alguém que nunca esteve na igreja, vindo da rua à procura de dinheiro. Muitos deles são mentirosos. Muitos chegam contando que está com mulher, filho, marido, mãe entre outros no hospital e que precisam imediatamente de dinheiro para ajudar na cirurgia.

Quando ouço uma história como esta, meu coração chega a doer. Imagino como seria estar nessas situações e penso em tudo o que Deus me deu. E quero fazer algo para ajudá-las.

Um dia um homem veio pela segunda vez a igreja e contou a mesma história de um ano atrás. Eu disse: "Mas no ano passado você contou a mesma história". O cara ficou com raiva, começou a gritar que era triste ver uma igreja não querer ajudar alguém com necessidade. Depois afastou-se. É incrível como algumas pessoas pedem dinheiro sabendo deste versículo de Mateus. "Dê a quem pede". E, estão prontos para criticá-los assim que fica óbvio que não vão conseguir o que pediram.

Há um monte de coisas que me incomodam, mas o que realmente me deixa chateado é quando as pessoas se aproveitam da graça. E quando alguém faz isso, quando alguém responde a nossa generosidade com insultos e ameaças, quando não mostram absolutamente nenhuma gratidão por nossa bondade, tempo e dinheiro da igreja. Isso realmente irrita. Sabe o que eu gostaria de fazer? Gostaria de insultá-los de volta. Gostaria de nunca mais ter que desperdiçar nenhum minuto do meu tempo com eles. Gostaria de ter a certeza que eles não verão mais um centavo nosso.

Mas Jesus diz: "Não vos afastes". Não tentem se vingar. Não tente se certificar que obtenham o que merecem. Seja gentil e generoso.

A propósito, este versículo não diz: "Dê as pessoas o que elas pedirem de você". Ele diz: "Dê ao que pede". Há muitos pedidos que não podemos cumprir. Há muitos pedidos que não devemos cumprir. Devemos fazer perguntas e usar o discernimento para lidar com pedidos de dinheiro. Mas não há razão para que no processo não sejamos gentis e generosos, mesmo quando alguém se aproveita de nossa generosidade. Você sabe? Isso faz parte do Código do Reino.

Conclusão.

Jesus diz: Eu sei que a justiça é importante para você. Eu sei que dói quando você é injustiçado. Mas tenha cuidado. Há um perigo aqui. Nunca deixe sua sede de justiça se transformar em uma busca de vingança. Você foi atacado, enganado, forçado e aproveitado. Mas responda ao mal com bondade e generosidade. E deixe todo o resto com Deus.


¹ Ajnqivsthmi. 1. Ser hostil em relação a; 2. resistir, opor-se, rebelar-se, colocar-se contra se mesmo.

Ajnqivsthmi. para colocar contra, para colocar em oposição. 2. para combinar com, comparar II. - para se opor, especialmente em batalha, para resistir, opor. 2. absoluto para fazer uma oposição.

Ajnqivsthmi. conjunto contra, em batalha, criado em oposição, pesar contra, superam. 2. corresponder com, comparar II. Passivo com intransitivo. - ficar de encontro, especialmente em batalha, resistir. 2. das coisas, transformar-se desfavoravelmente a um. 3. absoluto, fazer uma oposição, resistir, lutar.

Fonte: bible.org.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O QUE A BÍBLIA FALA SOBRE A IDENTIDADE TRANS MASCULINA?


O que a Bíblia fala sobre a identidade dos Trans masculinos?


Na superfície, a Bíblia parece não dizer muito sobre a identidade trans masculina. Faz algum sentido, pois não existiam muitas estratégias pré-modernas que auxiliassem as transições masculinizantes além da transição social. Hipócrates descreve as amazonas cortando ou queimando os seios, mas a arte não as retrata desta maneira, nem há nenhuma descrição médica sobre mastectomia antes do VI século DC. Além disso, as escrituras dos tempos bíblicos eram bastante patriarcais, e, provavelmente teriam visto as pessoas trans masculinas como uma ameaça. No entanto, os Mishnas dividem as pessoas em seis identidades de gênero distintas: machos, fêmeas, saris, ay'lonit, timtum e andrógenos. Ay'lonit foram pessoas identificadas como fêmeas de nascimento, mas que desenvolveram características masculinas na puberdade, e não eram férteis. Nenhum ay'lonit é mencionado na Bíblia como tal, mas pode ter sido uma categoria de reflexão rabínica no tempo de Jesus.

Outros Argumentos

Em Mateus 5:22, Jesus diz: "Mas vos digo que qualquer um que se irar contra um irmão ou uma irmã estará sujeito a julgamento. Outra vez digo, qualquer um que diz a um irmão ou uma irmã: 'Racá', será levado ao tribunal. E quem disser: 'Você é tolo!' (Moros) estará em perigo do fogo do inferno". (O próprio Jesus, por sinal, usa a palavra moros como insulto aos fariseus em Mt. 23:17). A questão aqui é o que exatamente significa 'racá'. Parece ser uma gíria aramaica, na qual não temos nenhum registro. Uma teoria é que estivesse relacionada com vazio ou idiotice (relacionada a reka aramaico). Outra teoria é que com base em cognados semíticos, era um insulto a homens efeminados, como os termos em português bicha, marica ou viado. Se assim for, uma outra coisa que Jesus diz sobre as pessoas trans, é não usar acusações de efeminação como um insulto.

Além disso, Jesus expressa sua aprovação de alteração do próprio corpo em Marcos 9:43-47: "Se tua mão te faz pecar, corte-a. É melhor você entrar na vida mutilado do que, tendo as duas mãos, e ir para o inferno, onde o fogo nunca acaba. E, se teu pé te faz tropeçar, corte-o. É melhor você entrar na vida aleijado do que, tendo dois pés, ser lançado no inferno. E, se teu olho te faz pecar, arranca-o. É melhor para você entrar no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no inferno". Muitas vezes esta passagem é tomada de forma não-literal, mas no minimo sustenta a ideia de que uma séria alteração cirúrgica do corpo parece estar cogitada na mente de Jesus. Há defesas das pessoas trans em gálatas 3:28 também.

Fonte: www.philpercs.com.